De bisbilhoteiro oficial a
araponga arrependido


Esta entrevista foi publicada em algum lugar. Alguém enviou, e para que as pessoas não tirem o olho de cima desse Brasil que poucos conhecem decidimos publicá-la. É de uma "ingenuidade" espantosa, e seria até engraçada, não tivessem sido causados tantos prejuízos às vítimas da bisbilhotagem

Um espião disfarçado de Recenseador

"Eu me sentia um 007"

Ex-espião do Exército José Alves Firmino destacou-se no exercício da bisbilhotagem. Os elogios dos comandantes, contudo, não livraram o cabo da cadeia e da discriminação. Agora, sem a proteção dos disfarces do ofício, quer a ajuda do presidente Fernando Henrique Cardoso para passar à reforma como terceiro-sargento.

- Que tipo de trabalho a Subseção de Operações fazia?

- Espionava os partidos políticos de esquerda, sindicatos, entidades estudantis e movimentos sociais. O MST é praxe, é considerado força adversa. A gente fichava os líderes - descrevia idéias, manias, ligações -, tirava fotos, subtraía documentos.

- Como você conseguia informações?

- Com vigilância, campana (acompanhamento por tempo maior), telefone, infiltração e pelo lixo. O agente segue o alvo o tempo todo e relata tudo o que ele faz por escrito. Recolhemos o lixo para saber as manias.

- Usavam disfarces?

Passamos por pesquisadores do Censo, com crachá, formulários e pasta do IBGE. Íamos às casas ao lado, porque vizinhos conversam, né? O ideal é falar com a mulher do cara, ir aos poucos entrando nos assuntos mais
pessoais.

- Grampeavam telefones?

- Fiz curso e tinha equipamento, mas nunca grampeei. Usava mais uma antena parabólica portátil que permitia escutar conversas à distância.

- Que tipo de equipamento um agente de Inteligência usa?

- Os mesmos instrumentos do repórter: caneta e papel. O trabalho é igual, obter informações, só que vocês são do bem, e eles, do mal. Em infiltrações no MST, sempre levam armas. Quando fui a um acampamento, havia um carro no
mato, com armamentos pesados, como escopetas e carabinas.

- O serviço de Inteligência do Exército mata?

- Não. Isso só acontecia na ditadura. Hoje há muito patrulhamento, órgãos de direitos humanos, é difícil. Cheguei a me oferecer para matar o Benjamim Soares e Soares (ex-sargento expulso pelo Exército, hoje espiona os arapongas), que agora é meu amigo.

- Você agia infiltrado. Não tinha medo de ser descoberto?

- Essas entidades não pensam em estratégia de segurança. A ''estória cobertura'' não pode falhar. Não podíamos ser diferente das outras pessoas.
Precisávamos usar roupas iguais às delas, imitar a maneira de falar, as atitudes. Via se podia confiar na pessoa pela maneira de ela falar comigo, de me olhar.

- Era estressante?

- Muito, principalmente em viagens. Não anotava nada na frente de ninguém, e só escrevia - ao contrário - em uma agenda pequenininha que escondia na cueca. Tinha que me policiar o tempo todo na forma de falar, porque militar
fala diferente, né? Tinha medo de revelar quem eu era de noite. Dormia depois de todo mundo. Sempre esperava o pior. Não podia adoecer, tinha de ser um super-homem.

- Mas você gostava?

- Eu me sentia o 007.

- Você já foi descoberto?

- Fui denunciado no Sindsep, por um funcionário civil que trabalhava na portaria e me conhecia do Exército. Fiquei queimado.

- Nunca se arrependeu?

- Uma vez, fui mandado para um acampamento do MST, na divisa de Minas com Goiás, perto de um campo de instrução do Exército. Entrei como ''repórter'' de um suposto jornal de Marabá e pedi exclusividade para minha matéria. Até que um dia, um sem-terra me telefonou para avisar que a Polícia Militar ia agir. Vem para cá. No terceiro telefonema, ele chorava: Você pediu exclusividade, nós demos. Estão massacrando nossas crianças e esposas.
(Firmino se emociona e se cala por instantes) Aquilo acabou comigo. Esse sentimento de culpa vai me acompanhar para sempre. Contei ao oficial. É o nosso trabalho, ele respondeu, friamente.

- Quando apareceram os primeiros sintomas de hanseníase?

- As primeiras manchas surgiram em 94. Fiz o tratamento, por seis meses, enquanto trabalhava normalmente. Achei que estivesse curado. Em outubro de 1995, pedi afastamento da SSOp e fui transferido para a 42° Batalhão de Infantaria Motorizada, em Goiânia. Não cheguei a servir. As manchas voltaram e as dores eram fortes. A doença tinha avançado. As plantas dos pés já estavam comprometidas pelas seqüelas. Tenho neurite tibial até hoje, os pés me doem todo dia. Voltei a me tratar, dessa vez por dois anos.

- Você foi discriminado?

- Doeu chegar ouvir um sargento me chamar de leproso (chora). Fiquei sem resposta. Dei minha saúde, minha vida, para o Exército. As pessoas fugiam de mim. Em julho de 1997, decidi entrar na Justiça contra o Exército e avisei que não iria mais compactuar com aquilo (espionagem). Só queria me reformar como terceiro-sargento, como manda a lei.

- Qual foi a reação?

- Fui preso no mesmo dia - uma sexta-feira. Sofri ameaças, revistaram os meus armários, carro, roupas e documentos. Me colocaram pelado na cela. Nos três primeiros dias, não tinha colchão, cama, nada. Não tomava remédios e morria de dor no pé. Não avisaram minha família. Minha esposa foi ao quartel, e disseram que eu não estava lá. Só no dia seguinte pude vê-la.

- Foi torturado?

- O comandante me ameaçava: Isso vai dar mais coisa do que você pensa. Não vai dar só expulsão, não. Um soldado ajoelhado na cela apontava um fuzil 762. Fiz greve de fome, mas vi que tinha de ficar forte. Quando me levaram para falar com o comandante, quatro soldados me escoltaram apontando baionetas, diante do batalhão perfilado, só para me humilhar. Depois de cinco dias, fui transferido para Brasília, de madrugada, sem ninguém saber.
Pensei que fosse morrer. Quando cheguei, consegui ligar para casa e avisar.
Nunca mais vou ser a mesma pessoa, eles me destruíram (chora).

- Como você saiu?

- Na quarta-feira, o então deputado Pedro Wilson foi me visitar. Aí as coisas melhoraram. No dia seguinte, fui liberado. Constam dez dias de prisão, mas na verdade fiquei uns 15, em agosto de 1997.

- Você foi ameaçado para não falar sobre o serviço de Inteligência?

- Seguiram-me até 1999. Em 97 e 98, não vivi. Tinha medo de me matarem.
Sofri três atentados, tentaram me jogar para fora da pista, duas vezes quando estava de carro e uma de moto. Andava com duas armas na cintura. Não dormia à noite, tomava café, guaraná em pó para agüentar. Descansava de dia. Estava pirando mesmo. Minha esposa perdeu um filho nesse período, teve aborto espontâneo. Minha filhinha, de dois anos, nasceu sem o antebraço e a mão esquerdos. Para mim, foi por causa de problemas emocionais.

- Você não tem medo de morrer por fazer essas denúncias?

- Acho que são uma garantia de vida. Repito uma frase do Ciro Gomes: ''Censurar pode, mas me calar só se for à bala''. Mas peço às entidades de direitos humanos, à Anistia Internacional, para me resguardar, e ao presidente que consiga minha reforma como terceiro-sargento.

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Jurupary
Ente do mal. Demônio dos olhos de fogo que vive na floresta
Piracema
Época em que cardumes de peixes sobem os rios para a desova
Pedra do rio
Diz a lenda que que são as lágrimas de uma índia que chorava a perda do amado. É onde está a íagem de São José, na frente de Macapá.
Macapá
Vem de Macapaba, ou "estância das bacabas".
Bacaba
Fruto de uma palmeira, a bacabeira. O fruto produz um vinho grosso parecido com o o açai.
Curumim
Menino na linguagem dos índios, expressão adotada pelos brancos em alguns lugares.
Jurupary
O demônio da floresta tem os olhos de fogo, e quem o vê, de frente, não volta para contar a história.
Yara
É a mãe d'água. Habita os rios, encanta com a suavidade da voz, e leva pessoas para o castelo onde mora, no fundo do rio.
Pitiú
Cheiro forte de peixe, boto, cobra, jacaré e
outros animais.
Ilharga
Perto ou em volta de alguma coisa
Jacaré Açu
Jacaré grande.
Jacaré Tinga
Jacaré pequeno
Panema
Pessoa sem sorte, azarada. Rio em peixe.
Sumano
Simplificação da expressão"ei seu mano",que é usada por quem passa pelo meio do rio para saudar quem se encontra nas margens
Caruana
Espíritos do bem que habitam as águas e protegem as plantas os homens e os animais.
Inhaca
Cheiro forte de maresia, de axilas de homem, de peixe ou de mulher
Tucuju
Nação indígena que habitava a margem esquerda do rio Amazonas, no local onde hoje está localizada a cidade de Macapá.
Montaria
Identifica tanto o cavalo como a canoa pequena, de remo.
Porrudo
Grande, enorme, muito forte ou muito gordo
Boiúna.
Cobra grande, capaz de engolir uma canoa.(Lenda)
Massaranduba
Madeira de lei, pessoa grosseira, mal educada.
Acapu
Madeira preta, gente grossa mal educada.