Dalva faz balanço da campanha e acali
composições para o segundo turno

Entrevista concedida ao programa Revista Matinal, da Rádio Difusora de Macapá, terça-feira, 8 de outubro de 2002, pela governadora do Estado do Amapá Dalva Figueiredo.

DALVA FIGUEIREDO: Bom dia aos ouvintes da Rádio Difusora! Quero parabenizar todos aqueles que se envolveram na eleição, a Polícia Militar, o TRE, a Imprensa, enfim, todos aqueles que trabalharam na eleição, pois foi um trabalho muito bom e uma festa da democracia em nosso Estado.

PERGUNTA: A senhora está com a voz um tanto quanto cansada, mais em função dessa batalha muito grande que foi o pleito de ontem, não é?

DALVA : É, eu estou com a voz rouca. Na verdade eu tenho que fazer um trabalho com a voz, pois eu não estava acostumada a falar muito assim pelos comícios. Às vezes tinha que falar três, quatro, cinco vezes por dia.

PERGUNTA: Nós temos pouco tempo agora até a eleição do segundo turno. O trabalho vai ser dobrado até lá, não vai?

DALVA: Com certeza. Para disputar a eleição e governar tem que ter muito empenho, muita dedicação e o objetivo forte, não é? Mas, eu quero aproveitar e parabenizar os eleitos, e, em especial, três mulheres que se destacaram, como a Janete Capiberibe, que foi campeã de votos. Para as mulheres foi muito importante, porque mostra, enfim, que as mulheres podem se organizar, ocupar os espaços. E a Janete, com certeza, vai ser uma boa deputada federal, porque já mostrou aqui, na Assembléia Legislativa, projetos importantes como a lei da biodiversidade. Como também a Francisca Favacho, que era vereadora. Ela não é do nosso campo político, mas foi uma boa vereadora e, conseqüentemente, vai ser uma boa deputada. E também a Roseli, que é uma garota empenhada e dedicada, e, com certeza, vai fazer a diferença na Assembléia Legislativa. Tenho um sonho de ver as comissões funcionarem, como as de Educação, as comissões de projetos.

PERGUNTA: Funcionar como uma Assembléia, não é governadora?

DALVA: Sim... a TV Senado, a TV Câmara, como se vê. A idéia, o debate, do ponto de vista ideológico, da organização da sociedade, me deixou muito satisfeita. O meu partido que elegeu dois deputados federais, como o Nogueira, que era vereador, dois mandatos, um garoto ainda... O Hélio também que foi presidente da CEA, resultado de todo um trabalho. E todos aqueles que se elegeram, todos aqueles que se empenharam e os que não se elegeram. Eleição é assim: nós entramos em uma disputa, se não der da primeira vez, não pode desistir.

PERGUNTA: Alguns, governadora, a gente gostaria até que desistisse...

DALVA: Ah... com certeza! O povo já desistiu deles. Então, pronto, isso que é bom, isso que é ótimo para a sociedade. Parabéns a vocês da Rádio Difusora! Agora são dois candidatos: um candidato e uma candidata. A partir daí fica mais fácil também para os debates, as discussões, para que a população possa avaliar e compreender bem as idéias e propostas e fazer a sua opção. Eu gostaria também de registrar uma questão desagradável quanto ao pagamento da bolsa do programa Família Cidadã, que nós temos nos empenhado, e vocês aí da RDM mesmo já registraram vários atrasos, algumas reclamações. Nós nos empenhamos muito e conseguimos estabelecer o pagamento antecipado. E são pessoas extremamente carentes e que precisam. Uns recebem R$ 100,00, outros R$ 200,00. Tem pessoas que saem do Marinheiro de Fora, no Bailique, para vir à Vila Progresso receber esses valores. É lamentável, mas, graças a Deus, hoje já está saindo o pagamento e, no mês que vem, vamos fazer o maior esforço para fazer o pagamento a partir do dia 5.

PERGUNTA: Tomara que também não se pense em não permitir o pagamento dos servidores, já que o governo vem pagando entre os dias 25 e 28, e este mês as eleições do segundo turno acontecem no dia 27. Mas é um domingo, não é governadora?

DALVA: É, mas o governo deve fazer o pagamento na sexta-feira.

PERGUNTA: A campanha já começa dia 12 na televisão e no rádio. Os dois candidatos vão ter o mesmo tempo. Eu gostaria de ter uma opinião sua à cerca do que já começou a ser discutido ontem, inclusive pelo presidente da República, a questão do coeficiente eleitoral. O Enéas (deputado federal eleito pelo Prona/SP), com um milhão e meio de votos, está levando toda a bancada do Prona à Brasília. Está levando, inclusive, um deputado que teve 270 votos. Qual a sua opinião sobre isso?

DALVA: Com relação ao coeficiente, com certeza, a lei tem que ser revista. Imagina uma pessoa que teve 270 votos, não representa o Estado de São Paulo, não representa a maioria do povo paulista. Então, prejudica a disputa, prejudica muito a democracia, embora isso seja uma regra. É aquilo que eu falei sobre o debate da TV Amapá, por conta de me atrasar 20 minutos, a regra me prejudicou. Embora o debate tenha começado às 22h30. Então é uma regra a proporcionalidade, mas que deve ser mudada, porque, com certeza, vai causar prejuízos, principalmente àqueles que tiveram a vontade da população expressa através dos votos que recebeu. Com certeza teve pessoas com muito mais votos e isso prejudica de verdade a democracia, prejudica e tem que ser revista. O nosso sistema eleitoral tem que ser rediscutido, financiamento público de campanha, porque não é possível que nós tenhamos todos esses problemas no País e que não possamos estabelecer regras claras, possamos estabelecer financiamento claro, se organizar, se mobilizar. Outra coisa que tem que ser rediscutida é a fidelidade partidária. Nós sabemos que o PT é intransigente nesse sentido. Então, as pessoas precisam valorizar isso. E também a permanência no partido – se elege por um e depois troca de partido. Isso não pode acontecer, porque você não consegue avaliar a postura ideológica. Por exemplo: o que a pessoa pensa sobre a privatização, o modelo econômico, sobre a habitação, enfim, sobre a organização da sociedade.

PERGUNTA: Como é que estão os entendimentos na busca de alianças para o segundo turno? Existe a possibilidade da retomada daquele entendimento com o PSB?

DALVA: Infelizmente a verticalização nos dividiu aqui no Amapá e tivemos que sair com candidatos separados. Você sabe que o PT, o PSB, o PC do B, o PV e outros partidos, nós sempre tivemos discussões e debates intensos. Mas, sempre estivemos juntos, desde 1995, governando o Amapá. Tivemos divergências, porém, sempre soubemos tratar isso no campo político. O calor da disputa nos leva, às vezes, a excessos, mas, nós que queremos governar, nós que sabemos o valor de nossas conquistas, o valor de cada vitória que tivemos, no sentido de pensar um desenvolvimento para a Amazônia, para o Amapá, uma concepção de organização de sociedade de gestão pública e do País, nós, com certeza, saberemos ultrapassar o calor da militância da disputa e conversar sobre o futuro do Amapá, o que, às vezes, precisamos recuar, reconhecer, aceitar e, mesmo que vá um pouco contra as nossas posições, para compor e para se ter consenso, é preciso que alguém ceda, é preciso que alguém dê o primeiro passo. É preciso que as lideranças tenham capacidade de aglutinar em torno de si pessoas que creiam numa proposta. É preciso que tenhamos tranqüilidade, maturidade e equilíbrio para saber ponderar, ouvir, aceitar a mágoa, o ressentimento e zerar tudo, acima daquilo que é maior para o Amapá e para o País. Tudo o que aconteceu nos debates políticos, as discussões, as estratégias, eu já zerei. Ontem, liguei para o meu amigo, Cláudio Pinho, que, acima de tudo, é um companheiro de luta há muito tempo, conversamos, trocamos idéias, disse a ele que ele foi um adversário que deu muito trabalho, mostrou que tem liderança, capacidade de convencimento. E, com a Deputada Fátima Pelaes, conversamos pela manhã e, por ela, fui muito bem recebida. Pela Fátima e também pelo Cláudio, da mesma forma que sempre os recebi muito bem. E nós vamos começar a conversar daqui a pouco. Vamos conversar com o Capi, que é uma grande liderança e que, com certeza, vai ajudar Lula a governar o Brasil e vai ajudar o Amapá e a Amazônia, para que possamos ter a nossa política de uso sustentável, de nossas riquezas, a biodiversidade, nosso meio ambiente possa ter mais recursos, ter mais investimentos, financiamento e, acima de tudo, Capi e o doutor Papaléo, com certeza, serão os senadores do Amapá, da Amazônia e do Brasil. Pessoas que têm capacidade de apresentar projetos e propostas.

Eu vi na proposta da Janete, por exemplo, ela dizendo que vai apresentar um Projeto de Lei para ter um fundo da educação infantil. Quer dizer, já sai com proposta, com projeto engatilhado. E, “brigona” como ela é, vai, com certeza, aglutinar idéias e pessoas para somar essas idéias. Portanto, já começamos a discutir e ampliar, além do nosso campo político. Agora é hora de zerar todas as disputas e fazer valer aquilo que é melhor para o Amapá. Nesses últimos anos, nós crescemos e avançamos, melhoramos, em que pese algumas dificuldades, alguns atropelos, nós mostramos diversas vezes que somos capazes de aglutinar em torno de um projeto. Acredito que isso tudo vai nos ajudar a juntarmos em defesa de uma causa maior que é o desenvolvimento do Amapá, a qualidade de vida do nosso povo, a geração de emprego, a inclusão da maioria das pessoas na sociedade.

PERGUNTA: A senhora está no segundo turno e com todas as chances de vencer essas eleições. No caso de ser confirmada a sua vitória, reassumir no dia primeiro de janeiro, como a senhora pretende ter entendimento com a Assembléia Legislativa? A Assembléia que foi, sem dúvida nenhuma, o grande problema, atravancando o próprio Executivo nesses quatro anos por conta da briga dos recursos. A senhora assumiu o governo em abril e acabou sendo mantida a briga. Infelizmente o Executivo não obteve sucesso e, por conta de decisões judiciais, está tirando do orçamento público o que poderia ser investido em obras sociais R$ 35 milhões este ano para repassar ao poderes. Mas, a Assembléia foi renovada. Dos atuais 24 deputados, um não disputou a reeleição, que foi o Geraldo Rocha, e apenas 10 voltaram. São 14 novos deputados estaduais eleitos. O que a senhora espera do comportamento do Poder Legislativo do Amapá, a partir do ano que vem?

DALVA: Eu espero uma nova postura, um novo debate, quando eu falo na reeleição do Randolfe, a eleição da Roseli, do Mandi, do Jorge Souza, da Francisca Favacho, do Joel Banha e de outros. Com certeza vai haver um novo rumo, porque nós precisamos discutir as propostas, discutir as idéias, ampliar o debate. Veja a questão da Universidade pública, era preciso haver audiências públicas em todo o Estado. Era preciso chamar a comunidade acadêmica, chamar todos aqueles que tem projetos e propostas e, já nesse orçamento, incluir recursos à educação profissionalizante, pois nós precisamos melhorar a qualidade do debate para que a relação seja institucional, seja política. Tenha um conteúdo primordial que é a ética, os princípios que norteiam a boa convivência na sociedade. Então, eu espero acima de tudo, redução dos percentuais. Eu estava caminhando insistentemente para querer aprovar nesse período o orçamento. E resolvi que, o Executivo, pelo menos nesse momento, não vai levantar essa discussão. Nós já fizemos o orçamento participativo, mobilizamos a sociedade, de forma que ia confundir muito a sociedade, nesse período eleitoral, com a disputa pelo orçamento. Então, eu espero passar esse momento e, para o final de novembro, nós retomarmos essa conversa. Mas, eu acredito sinceramente e tenho a firmeza em dizer que a discussão e o debate na Assembléia vai mudar. Os que permaneceram, com certeza, vão sentir que os novos deputados eleitos vão querer se reorganizar e, com isso, nós vamos conseguir diminuir os recursos que vão para a Assembléia Legislativa, que são altíssimos. Por exemplo: o Ministério Público está reclamando e com uma certa razão, porque ele permaneceu com o mesmo percentual. Então, é preciso que haja uma redistribuição desses recursos, mas, acima de tudo, que o Executivo tenha condições de ter mais recursos para que ele possa investir mais. Nós já fizemos muito e precisamos fazer muito mais. Uma coisa também que está sendo boa nessa renovação na Câmara Federal é a discussão da emenda de bancada, a população entender que os nossos representantes na Câmara Federal tem que discutir com os executivos municipais e estaduais. O saneamento básico: todo mundo sabe que Laranjal do Jari, Santana e Macapá, enfim, o Estado todo precisa. De forma que, se nós canalizarmos os recursos, para o saneamento básico, nós resolvemos o problema. Creio, então, que foi isso que acabou provocando essa renovação também na Câmara Federal.

Transcrição da entrevista:
Aroldo Pedrosa

Bombons da Sol
Bombons de chocolate com recheio de frutas regionais.
Deliciosos,
Pedidos pelos telefones 223 4335 e 9964 7433


Tia Neném
Lanches, sucos naturais e comidas regonais e nacionais.
Tacacá especial.
Tradição de 30 anos.
Cônego Domingos Maltez próximo da Eliezer Levy



 

Catinga de mulata
Catinga é cheiro ruim, mas "Catinga de mulata"é cheiro bom, tanto que virou nome de perfume nos idos dos anos cinquenta
Remanso
Ponto onde o rio se alarga, a terra forma uma reentrância e as águas ficam mais calmas
Bubuia

Aquelas minúsculas bolhas de espuma que se formam na corrente do rio. Viajar de bubuia é ser levado pelas águas. "De bubuia, título de canção popular.
Piracema

Época em que cardumes de peixes sobem os rios para a desova
Pedra do rio
Diz a lenda que que são as lágrimas de uma índia que chorava a perda do amado. É onde está a íagem de São José, na frente de Macapá.
Macapá
Vem de Macapaba, ou "estância das bacabas".
Bacaba
Fruto de uma palmeira, a bacabeira. O fruto produz um vinho grosso parecido com o o açai.
Curumim
Menino na linguagem dos índios, expressão adotada pelos brancos em alguns lugares.
Jurupary
O demônio da floresta tem os olhos de fogo, e quem o vê, de frente, não volta para contar a história.
Yara
É a mãe d'água. Habita os rios, encanta com a suavidade da voz, e leva pessoas para o castelo onde mora, no fundo do rio.
Pitiú
Cheiro forte de peixe, boto, cobra, jacaré e
outros animais.
Ilharga
Perto ou em volta de alguma coisa
Jacaré Açu
Jacaré grande.
Jacaré Tinga
Jacaré pequeno
Panema
Pessoa sem sorte, azarada. Rio em peixe.
Sumano
Simplificação da expressão"ei seu mano",que é usada por quem passa pelo meio do rio para saudar quem se encontra nas margens
Caruana
Espíritos do bem que habitam as águas e protegem as plantas os homens e os animais.
Inhaca
Cheiro forte de maresia, de axilas de homem, de peixe ou de mulher
Tucuju
Nação indígena que habitava a margem esquerda do rio Amazonas, no local onde hoje está localizada a cidade de Macapá.
Montaria
Identifica tanto o cavalo como a canoa pequena, de remo.
Porrudo
Grande, enorme, muito forte ou muito gordo
Boiúna.
Cobra grande, capaz de engolir uma canoa.(Lenda)
Massaranduba
Madeira de lei, pessoa grosseira, mal educada.
Acapu
Madeira preta, gente grossa mal educada.