1ª ROMARIA DOS ATINGIDOS
TERRA, AGUA E DIREITOS
"O CLAMOR DOS POBRES CHEGOU AOS OUVIDOS DE DEUS" (Tg 5,4)
16 e 17 de novembro de 2002 ? ALCÂNTARA ?MA

A CAMINHO ?

PARA ONDE?
Alcântara é um município localizado na Baixada Ocidental Maranhense,
a 22 km de São Luis, a capital maranhense, local da antiga aldeia de Tapuitapera, habitada pelos Tupinambás. Foi elevada à categoria de Vila, em 22 de dezembro de 1648, com o título de Santo Antonio de Alcântara e no dia 05 de julho de 1836, à categoria de cidade pela Lei Provincial. Foi tombada pelo Patrimônio Histórica Nacional, desde 1948.

O município possui 19.000 habitantes, a maioria descende de negros e indígenas. Ainda no período colonial a cidade recebeu grandes contingentes de escravos africanos que, juntamente com os remanescentes de grupos indígenas, passaram, a partir da saída dos grandes proprietários de engenhos e fazendas, no século XVIII, a constituir grandes territórios étnicos. Uma marca desse campesinato que se formou desde então são os sistemas de usufruto comum dos recursos naturais, calcados na identidade étnica desses grupos.

Mais de 80% da população, vive no campo combinando a agricultura camponesa com a pesca e o extrativismo vegetal praticados de forma artesanal tradicional. Encravada na grande área de proteção ambiental das reentrâncias maranhenses nos limites da Amazônia Legal, a região é rica em biodiversidades e recursos naturais.

Apesar de ser pólo turístico o município possui apenas um hospital e uma escola do ensino médio. São importantes suas festas populares, e religiosas com destaque para a festa do Divino e Santa Tereza e manifestações culturais como o tambor de crioula, bumba-boi.

POR QUE ?
O governo do Estado do Maranhão decretou, em 1980, a desapropriação de
uma área de 52 mil hectares para a implantação do Centro de Lançamento de Alcântara pelo Ministério da Aeronáutica. Desde então milhares de famílias alcantarenses vêm sendo arrancadas de suas comunidades, onde viviam há mais de 200 anos, e levadas para casas de alvenaria em agrovilas. O preço desse deslocamento compulsório tem sido altíssimo: nunca receberam indenização do governo; não podem fazer qualquer reforma e adaptação nas casas; não podem construir novas casas para os filhos que se casam; a terra não é boa para a lavoura; o acesso ao mar é controlado rigorosamente pelo CLA; centenas de famílias já abandonaram as casas e foram morar nas periferias de Alcântara e São Luís; as relações de parentesco e vizinhança foram violentamente quebradas, enfim sistemas sócio-culturais e religiosos foram e continuam sendo destruídos. O projeto de remanejamento executado pelo CLA não previu uma estratégia de desenvolvimento sustentável que amenizasse as perdas irrecuperáveis.

Como se não bastassem tantas atrocidades, o governo brasileiro agora quer entregar mais da metade da área do município de Alcântara, correspondente a área do CLA, para o governo dos Estados Unidos da América implantar aqui mais uma de suas bases militares na América Latina, ferindo de morte a Soberania Nacional.

Diante de tanta violência as famílias atingidas continuam resistindo na luta por TERRA, ÁGUA E DIREITOS, na certeza de que seus clamores chegam aos ouvidos de Javé, o Deus dos empobrecidos.

PARA QUE?
Queremos que esta Romaria seja tempo para CELEBRAR a luta,; DENUNCIAR as injustiças, e REAFIRMAR o compromisso evangélico em defesa da vida; queremos, sobretudo, escutar os clamores dos atingidos e atingidas, os protagonistas desta luta que vem sendo travada nos últimos 22 anos nas
reentrâncias maranhenses; reafirmando a necessidade de construirmos uma verdadeira nação soberana respeitando as diferenças étnicas e culturais.

PROGRAMAÇÃO

Sábado e Domingo

Início às 20h
VIGÍLIA: Memória e Resistência
Abertura:
Memorial da luta:
Depoimentos, testemunhos, denúncias das famílias atingidas
Expressões culturais
Cantores da Caminhada
Participação das Paróquias: Terra, Água e Direitos
Expressões culturais
Cantores da Caminhada
ALCA:
Celebração Eucarística
Cantores da Caminhada

CAMINHADA: Soberania não se negocia!
Pronunciamentos
1ª parada (cemitério): Terra
2ª parada (1º trevo): Água
3ª parada (trevo ? CT): Direitos
Encerramento e Envio
O percurso da caminhada será de 7km

ORIENTAÇÕES AOS ROMEIROS E ROMEIRAS

1. Cada romeiro/a é responsável por trazer sua alimentação, água, café (obs. no local haverá barracas cadastradas que venderão alimentação e lanches)

2. Trazer: as bandeiras do Divino, das comunidades e outras, faixas; instrumentos musicais; chapéu de palha; água dos rios da sua comunidade ou região; terra da sua comunidade; velas;

3. Símbolos da luta pela terra; fotos dos mártires da caminhada; e objetos da cultura afro-indígena (para a s tendas dos mártires e
afro-indígena)

4. A coordenação estará recebendo até o dia 31/10/02, músicas e poesias para a vigília e caminhada. Tema: Terra, Água e Direitos ? O clamor dos pobres chegou aos ouvidos de Deus.

5. Estaremos recebendo inscrições das entidades que quiserem fazer pronunciamento durante a caminhada, até o dia 16/11/02, com a secretaria.

6. Pedimos, se possível, que as caravanas confirmem presença até o dia
08/11/02.


COMO CHEGAR A ALCÂNTARA

VIA MARÍTIMA:

Lancha: saindo do Terminal Hidroviário da Praia Grande ( São Luís) com destino a Alcântara, às 7h, 9h, e 16h (não faz a travessia de carros)

Ferry-boat: saindo da Ponta da Espera (São Luís) com destino ao Cujupe, às 5h e 17h (compra de passagens antecipadas para carros).

Obs. Viagens extras só é possível com lotação ? ferry boat : 620 pessoas e 35 carros e lancha: 160 pessoas. Maiores informações: falar com Lourdes

(CNBB), fone (98) 222-8341.

VIA TERRESTRE:

Via Imperatriz (MA): segue até Santa Inês Vitória do Mearim Três Maria Alcântara.

Via Teresina (PI): Caxuxa Bacabal Santa Inês ? Alcântara.

Via Belém (PA): Encruzo Santa Helena Pinheiro Alcântara.

"Pelo reconhecimento imediato do território das comunidades remanescentes de quilombos"


SECRETARIA DA ROMARIA
(98) 337-1225 e 337-1216 (Ir. Eugênia)
(98) 381-1448 (Bené ou Clemir)
fax (98) 381-2731
[email protected]


Bombons da Sol
Bombons de chocolate com recheio de frutas regionais.
Deliciosos,
Pedidos pelos telefones 223 4335 e 9964 7433


Tia Neném
Lanches, sucos naturais e comidas regonais e nacionais.
Tacacá especial.
Tradição de 30 anos.
Cônego Domingos Maltez próximo da Eliezer Levy



 

Catinga de mulata
Catinga é cheiro ruim, mas "Catinga de mulata"é cheiro bom, tanto que virou nome de perfume nos idos dos anos cinquenta
Remanso
Ponto onde o rio se alarga, a terra forma uma reentrância e as águas ficam mais calmas
Bubuia

Aquelas minúsculas bolhas de espuma que se formam na corrente do rio. Viajar de bubuia é ser levado pelas águas. "De bubuia, título de canção popular.
Piracema

Época em que cardumes de peixes sobem os rios para a desova
Pedra do rio
Diz a lenda que que são as lágrimas de uma índia que chorava a perda do amado. É onde está a íagem de São José, na frente de Macapá.
Macapá
Vem de Macapaba, ou "estância das bacabas".
Bacaba
Fruto de uma palmeira, a bacabeira. O fruto produz um vinho grosso parecido com o o açai.
Curumim
Menino na linguagem dos índios, expressão adotada pelos brancos em alguns lugares.
Jurupary
O demônio da floresta tem os olhos de fogo, e quem o vê, de frente, não volta para contar a história.
Yara
É a mãe d'água. Habita os rios, encanta com a suavidade da voz, e leva pessoas para o castelo onde mora, no fundo do rio.
Pitiú
Cheiro forte de peixe, boto, cobra, jacaré e
outros animais.
Ilharga
Perto ou em volta de alguma coisa
Jacaré Açu
Jacaré grande.
Jacaré Tinga
Jacaré pequeno
Panema
Pessoa sem sorte, azarada. Rio em peixe.
Sumano
Simplificação da expressão"ei seu mano",que é usada por quem passa pelo meio do rio para saudar quem se encontra nas margens
Caruana
Espíritos do bem que habitam as águas e protegem as plantas os homens e os animais.
Inhaca
Cheiro forte de maresia, de axilas de homem, de peixe ou de mulher
Tucuju
Nação indígena que habitava a margem esquerda do rio Amazonas, no local onde hoje está localizada a cidade de Macapá.
Montaria
Identifica tanto o cavalo como a canoa pequena, de remo.
Porrudo
Grande, enorme, muito forte ou muito gordo
Boiúna.
Cobra grande, capaz de engolir uma canoa.(Lenda)
Massaranduba
Madeira de lei, pessoa grosseira, mal educada.
Acapu
Madeira preta, gente grossa mal educada.