Macapá da minha infância

Vânia Beatriz Vasconcelos de Oliveira

 

Procurei Macapá da minha infância, a cidade que deixei criança.

Não a encontrei no Gato Azul, no Urca Bar,

nem nos uniformes "garapa azeda", das colegiais do CA.

Procurei Macapá, na Beira, no quebra-mar,

no Remanso, ou como queiram chamar.

Não a encontrei, na Vacaria, no Elesbão;

Nem nos comícios da ARENA e MDB,

na Praça da Conceição.

Procurei Macapá , nos Armazéns Brunswick ,

na Casa Estrela, na Casa Lua.

Não a encontrei, nos pães e donzelas da Casa Costa.

Nem no vendedor de rua.

Nas ruas de Macapá, procurei o tempo inteiro

Não encontrei o Camarão Frito, o vendedor de pipoca,

O marreteiro, o raspa-raspa, o cascalheiro.

Nem o pobre cego, que por dinheiro a viola toca.

Em Macapá procurei sintonizar , Arnaldo Araújo a anunciar:

"o bar Corujão , do meu amigo Nena Leão".

Não ouvi o reclame: " Quebrou , Flip da outro...!",

do saudoso guaraná.

Nem o alegre despertar do Hermínio Gurgel,

Pai Velho Pai d´Égua , legal

que se punha a gritar:

vamos acordar pessoal!

Procurei Macapá, no Clube do Guri da Rádio Difusora.

Na prece à Ave Maria, que rezavam por nós.

No Carnet Social , na possante voz do Amazonas Tapajós.

Na feira do Mercado Central procurei , a garapa do Brotinho,

servida com pastelão, temperada com carinho:

"Moça bonita não paga, mas também não leva".

No bairro do Trem procurei por todos os lados,

Não encontrei Macapá: nas matinês do Cine Paroquial,

Nas reuniões do JOT, nas festas da Maroquita , com uma grande aparelhagem

Na locução do Biroba, nas peladas e campeonatos , dos solteiros e casados.

Procurei Macapá da minha infância, só a encontrei em minhas lembranças.