ASMEAP - NOTA DE ESCLARECIMENTO

A ASSOCIAÇÃO DOS SERVIDORES MILITARES DO ESTADO DO AMAPÁ – ASMEAP, entidade representativa dos policiais e bombeiros militares estaduais, vem a público manifestar seu descontentamento com a tentativa de linchamento moral e desqualificação profissional contra a pessoa da Oficial Militar que infelizmente teve que efetuar a prisão e condução de um Delegado de Polícia Civil, por desacato, ao CIOSP do bairro do Congós.  Enfatizamos que as três equipes militares presentes no local da ocorrência eram compostas por policiais experientes, capacitados e acima de tudo acostumados a contornar episódios de grande vulto como aquele, que lamentavelmente culminou com a morte por atropelamento de um cidadão, pai de família, trabalhador, que naquele momento procurava o sustento de sua prole, fato que gerou grande comoção social, principalmente nas pessoas que presenciaram o acontecimento, no entanto, esclarecemos a todos que o serviço policial precisa obrigatoriamente ser frio, imparcial e meramente técnico, o que às vezes é confundido como desinteresse por algumas pessoas alheias a esse conhecimento.  Na ocorrência em questão, o Delegado Rogério talvez motivado pelo calor do momento ou desabituado com esse tipo de situação, interviu, transtornado, apresentando visíveis sintomas de ingestão alcoólica, causando dificuldades inclusive ao trabalho da Polícia Técnica e Cientifica que já se encontrava no local do fato, e quando solicitado que se afastasse momentaneamente do local pela Oficial em questão para facilitar o serviço da POLITEC, tentando isolar o perímetro conforme determina a legislação e os procedimentos padrões na instituição, o mesmo argumentou alegando que havia sido desrespeitado, e quando arguido pela soldado Aretha sobre quem havia tomado tal atitude contra sua pessoa naquele local, na presença de várias testemunhas disse-lhe “QUEM ÉS TU? EU NÃO FALO COM SOLDADINHO DE MERDA”, esse foi o motivo lamentável que levou a Tenente Rosilene a dar-lhe voz de prisão, tendo o mesmo reagido e por encontrar-se armado, sido algemado e conduzido imediatamente ao CIOSP do Congós, lá chegando, ainda bastante exaltado, na presença do delegado de plantão e outros policiais civis e militares, desacatou também com palavras de baixo calão o Sargento Alberto, gritando que o mesmo era um VAGABUNDO, repetindo inúmeras vezes ao militar “TU ÉS UM MERDA”.  Causa-nos estranheza o fato de que durante a oitiva da Ten. Rosilene estavam presentes quatro delegados na sala de depoimento, o que é bastante incomum; o fato de não ter sido dado ciência a oficial que estava sendo ouvida na qualidade de ré, o que somente lhe foi informado no final do procedimento; o fato de não ter sido solicitado a presença de advogado para acompanhá-la durante o procedimento; o fato de não ter sido realizado o exame de dosagem alcoólica no delegado apresentado no CIOSP, o que já havia sido solicitado em boletim de ocorrência; entre outras situações já comunicadas ao Ministério Público Estadual. Lamentamos profundamente o ocorrido, nos desculpando pelas palavras fortes e desrespeitosas mencionadas nesta nota, no entanto, faz-se necessário esse esclarecimento, para que todos possam entender a que tipo de humilhação os militares foram submetidos, e principalmente o verdadeiro motivo da prisão por desacato do delegado Rogério, não queremos polemizar ou causar desconforto na já sensível relação existente entre as polícias estaduais, no entanto, a sociedade amapaense não pode aceitar que o corporativismo exacerbado seja colocado acima dos interesses do estado, não aceitaremos que militares desrespeitados, humilhados e ofendidos em sua moral, sejam de vítimas transformadas em réus, simplesmente pelo fato do conduzido ser um delegado, que nada mais é do que um mero servidor público, com a mesma importância que outro qualquer membro do sistema de segurança pública estadual, os quais se diferenciam em suas funções apenas pelo desempenho de atribuições distintas.  À Tenente Rosilene, mãe, mulher guerreira, profissional altamente qualificada, regularmente escalada para aquele serviço, nosso apoio incondicional; aos demais companheiros ofendidos no infeliz episódio, tenham a certeza de que seremos incansáveis na defesa de seus direitos, da categoria e dos interesses da sociedade amapaense; aos companheiros de trabalho das polícias coirmãs, nosso respeito e consideração, temos a convicção de que casos isolados como este, não deverão prejudicar a relação harmônica existente entre nossas instituições.  A diretoria da Associação dos Servidores Militares do Estado do Amapá espera que a verdade sobre os fatos seja esclarecida, e que os verdadeiros responsáveis sejam identificados e punidos de acordo com o que prevê a legislação nacional, resolvendo definitivamente essa triste situação.

 

 

 

Álvaro de Oliveira Corrêa Júnior

Presidente da ASMEAP

 

Helielson do Amaral Machado

Vice presidente da ASMEAP

3 comentários sobre “ASMEAP - NOTA DE ESCLARECIMENTO”

  1. POLICIAL MILITAR diz:

    Nós, Policias Militares de todo o País deveríamos investir e trabalhar unidos em prol da nossa valorização institucional. Episódios como esse demonstram que somos alvos fáceis da arrogância de setores sociais e oficiais, inclusive de dentro do próprio sistema de segurança. É impossível superar a cultura do Bacharelismo que sintetizou esse absurdo da figura do DELEGADO BACHAREL EM DIREITO que arvora para si status de membro do judiciário, no entanto temos que tomar medidas. O ultrapassado inquérito policial, que por lei é atribuição exclusiva do DELEGADO, é onde são praticadas barbaridades interpretativas por falta de preparo policial e por apuro jurídico canhestro. Não raro, quando se precisa de algum esclarecimento, o MP e o Judiciário desprezam tal instrumento.
    O mais importante: Que fique claro que não há hierarquia entre instituições que dividem o ciclo de persecução criminal. Não há em nenhuma legislação nada que afirme que a Polícia Judiciária,seus feitos e seus doutores (sem doutorado), sejam mais dignos que o trabalho do Soldado PM, que às vezes é DOUTOR (com título acadêmico de verdade).
    Gestores PM, pensem na nossa imposição institucional! Somos Fortes!

  2. Luiz diz:

    Tudo bem, se houve agressão verbal é motivo de repúdio com toda certeza, entretanto, a pergunta é ” Por que deixaram fugir o infrator, a pessoa que estava dirigindo o veículo???” Desacato na escala de gravidade é superior a homicídio? foi vacilo de ambos os lados.

  3. ROBERVAL AMORIM diz:

    Parabéns ten rosilene, agiu corretamente esses delegados recém formados, pensam que são os donos das verdades, tem respeitar o trabalho de outras categorias, principalmente ele como Delegado deveria dar bom exemplo para sociedade, como um cidadão desse vai prender uma pessoa errada, se ele é mais errado do que um infrator, já passei por uma situação indentica no meu trabalho, um Delegado recém formado, veio querer gritar e dar ordem e me ensinar o meu trabalho que executo a mais de 16 anos, pedir ele que fosse gritar lá na sua na sua casa com seus filhos.

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