Geleia Geral 19-11-2012

“Nossa prioridade é a dor do povo”.
Muita gente estranhou a decisão da direção local do PSOL, de receber apoios como de Lucas Barreto, vereador, eleito pelo PTB, e do deputado federal Davi Alcolumbre, do DEM, à candidatura do Clécio Luis, no segundo turno da eleição para a Prefeitura de Macapá. Foi um torcer de narizes que partiu, principalmente, de setores que colocam preceitos partidários, convicções pessoais e ideologias acima de qualquer outra coisa, inclusive do bem e do mal. Já pensei assim, felizmente num período bem curto de minha vida, mas logo em seguida aceitei que existem sim, coisas bem mais importantes que algumas das minhas convicções. Passei a pensar assim quando entendi que ninguém perde absolutamente nada, quando substitui uma ideia por uma ideia melhor. Nesse tempo aprendi que o interesse coletivo está acima do individual. Foi o que aconteceu no caso presente.

Você, por exemplo, tem certeza de que sabe como funcionam os esquemas usados pelas quadrilhas que se mantém ativas no universo político nacional? Tem ideia do volume de dinheiro público que movimentam, boa parte para manter seus representantes no poder? Não sabe?

Esse tipo de político se eterniza no poder mantendo a população desempregada, escolas sem qualidade, transporte coletivo precário, ruas sem condições de tráfego, praças abandonadas, coleta de lixo não feita, saúde pública na UTI, patrocinando a desesperança. Assim deixam o cidadão e a cidadã, absolutamente carentes e fragilizados, prontos para votar em qualquer um, em troca de alguma coisa que amenize seu sofrimento cotidiano. Daí vem a venda de votos, comprados com dinheiro roubado ao longo dos mandatos que o povo acaba dando de presente para essas pessoas.

Na recente eleição para a PMM por muito pouco isso não se repetiu. Estava tudo preparado para que fosse do mesmo jeito. Contratações ilegais, folhas de pagamento extras, dinheiro descontado dos servidores e não recolhido aos bancos que emprestaram, prestadores de serviços não pagos, tudo retirando dinheiro de um lado, e passando para o outro. Aparentemente não tinha como perder, mas perderam. Isso explica por que havia necessidade de uma união de esforços para derrotar os esquemas montados ao longo dos últimos dez anos. A diferença foi de pouco mais de dois mil votos, o que torna fácil avaliar que, se qualquer um dos apoios tivesse sido retirado, os quatrocentos e vinte mil habitantes de Macapá pagariam caro, por mais quatro anos, pelas irresponsabilidades cometidas até agora, que vão chegar ao conhecimento público a partir do início do ano que vem.

Acusado de incoerente por ter apoiado a decisão do PSOL, depois de ter “condenado” as alianças de Lula, devo lembrar que o problema ficou por conta do que o Lula deu em troca das alianças que fez. Ele não precisava pedir votos para a Roseana Sarney, nem beijar a mão do Jáder Barbalho em Belém. Aí a diferença. No mais, vou me servir de uma frase cunhada pela jornalista Márcia Corrêa durante o segundo turno da eleição. Quando alguém protestava contra os apoios que o PSOL vinha recebendo, ela dizia: “nossa prioridade é a dor do povo”. É o que vale.

7 comentários sobre “Geleia Geral 19-11-2012”

  1. olho vivo diz:

    Querido Correa, um amor verdadeiro (como o seu de pai pela filha) abre mão de princípios éticos e morais, e cria, na inocência do seu querer, seus próprios conceitos, acreditando sempre na verdade do que sente.

  2. Rivaldo Ataíde diz:

    Caro Correa, sou leitor assíduo do seu blog, o qual considero o mais crível do Amapá em mídia escrita. Tolero sua posição de apólogo do PSOL porque opção política é um direito de todo cidadão, inclusive jornalistas. Embora isso às vezes embrulhe o estômago, normalmente não considero que isso comprometa a credibilidade/qualidade do teu blog. Tua coluna Geléia Geral é sempre aguardada e lida, mas…

    Colocar o PSOL como reserva moral da sociedade amapaense, considerando o que acontece aqui no Vale do Amapari (Serra do Navio/Pedra Branca do Amapari), onde a principal liderança do PSOL responde a pelos menos 4 (QUATRO) ações civis públicas por improbidade (não vou citar nomes, quem quem quiser saber que pesquise no portal do TJAP)… haja mastruz com leite!

  3. paulo rodrigues bastos diz:

    Comentarista…deixe de papo furado..o que infelizmente alguns do pessoal queriam era o PODER!

    Nada desse papo de dor do povo.Aliás,não esqueça que o “malvado” Lula apoiou Edmilson Rodrigues em Belém,junto com Dilma,ou vais dizer que não??!!

  4. Continue de “olho vivo”, mas mostre a cara. Para sua informação, a Márcia se afastou do programa durante a campanha.

  5. olho vivo diz:

    Prezado Correa Neto, em que pese o respeito que você e a pessoa de marcia correa mereçam, é muito lamentável que pai e filha, jornalistas atuante e que assim se intitulam o tempo todo, ela com programa diário em rádio e presença neste seu blog jornalístico, cumule esta incompatível profissão com a de assessora de político (Senador Randolfe Rodrigues). Por mais que se tente dizer o contrário, a isenção dela, principalmente, está maculada. E o Código de Ética dos Jornalistas brasileiros prevê sanção que vale a pena relembrar: Art. 7º O jornalista não pode: VI - realizar cobertura jornalística para o meio de comunicação em que trabalha sobre organizações públicas, privadas ou não-governamentais, da qual seja assessor, empregado, prestador de serviço ou proprietário, nem utilizar o referido veículo para defender os interesses dessas instituições ou de autoridades a elas relacionadas; IX - valer-se da condição de jornalista para obter vantagens pessoais. Art. 17. Os jornalistas que descumprirem o presente Código de Ética estão sujeitos às penalidades de observação, advertência, suspensão e exclusão do quadro social do sindicato e à publicação da decisão da comissão de ética em veículo de ampla circulação.
    E este seu post, especificamente a frase final onde ela se inclui no partido político PSOL é a mais contundente prova da violação ética de que ora se fala. Jornalismo e assessoria de político são incompatíveis. Não há como transigir. Marcia Correa precisa fazer sua opção, para o bem do jornalismo, verdadeiro e necessariamente, independente. Você mais do que ninguém defende isso todos os dias no seu blog quando denuncia a imprensa partidária. Marcia Correa é maior que isso e a biografia dela está ameaçada. Ruim para todos nós que tinha nela uma ilha de lucidez e ética. Nessas coisas não dá para relativizar.

  6. Messias diz:

    Na minha opinião, os ex-aliados do Roberto só apoiaram Clécio porque sabiam da situação da Prefeitura, somada à grande possibilidade de uma cassação futura e da Prefeitura cair no colo dos Gurgel. Nada de “dor do povo”. Uma vez mucura, sempre mucura.

  7. Marcel diz:

    Viva a Revolução que promete e esta começando pelo pequeno grande Estado do Amapá. nos preparemos para o futuro. fé no que virá.

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