Conselheiro de agricultura dos EUA conhece experimentos da Embrapa no cerrado do Amapá

O conselheiro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), Robert Hoff, conheceu experimentos agrícolas da Embrapa Amapá, unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), instalados no Campo Experimental do Cerrado (BR-156), na manhã desta quarta-feira, 4. Acompanhado de diretores da empresa florestal Amcel e da técnica da Agência de Desenvolvimento do Estado do Amapá (ADAP), Alana Soares, ele foi recebido pelo chefe-geral da Embrapa Amapá, Silas Mochiutti e pelos pesquisadores Nagib Melém Junior, Eleneide Doff Sotta, Gilberto Yokomizo e Ana Elisa Montagner.

A visita técnica ao Campo Experimental da Embrapa foi motivada pelo interesse do conselheiro em verificar o potencial do cerrado amapaense para práticas agrícolas comerciais. Na sua primeira viagem ao Amapá, em maio deste ano, ele foi informado da existência de cerrado no estado e ficou interessado em conhecer in loco as possibilidades de exploração agrícola deste bioma. Desta vez, Robert Hof desembarcou em Macapá para proferir palestra na 49ª Expofeira Agropecuária e incluiu na agenda a visita ao campo da Embrapa e à Amcel. Esta empresa atua no Amapá desde 1976 produzindo cavacos e biomassa e foi representada na visita ao campo da Embrapa pelos seus gerentes Armindo Luiz Baretta (Florestal), Antônio Carlos Rosa (Pesquisa Florestal) e Carlos Penha (Assuntos Regionais).

O roteiro da visita foi iniciado no experimento do Sistema ILPF (Integração Lavoura- Pecuária-Floresta), onde são cultivados clones de eucaliptos fornecidos pela Amcel e variedades de forrageiras. A pesquisadora Ana Elisa Alvim Montagner explicou que o projeto que viabiliza as pesquisas neste sistema é de abrangência nacional, mas com planos de ação regionalizados a fim de atender as demandas e a realidade do nível tecnológico de cada região do País.

O ILPF engloba sistemas produtivos diversificados de origem vegetal e animal (alimentos, fibras, energia, produtos madeireiros e não madeireiros), realizados na mesma área, em cultivo consorciado, em sucessão ou rotacionado. “Espero que vocês tenham sucesso com esse sistema. Isso aqui é um exemplo de inovação no Brasil, um projeto concreto que tem potencial para melhorar a renda do produtor”, afirmou Robert Hoff. Em seguida o grupo esteve na área do Banco de Germoplasma de Mangabeiras, composto de árvores nativas e cultivadas, e obteve esclarecimentos do pesquisador Gilberto Yokomizo. “No estado do Amapá, esta árvore é nativa do cerrado e tem potencial para uma cadeia de produtos que vai do suco ao sorvete”, disse o pesquisador, ressaltando que na região Nordeste, especificamente no estado da Paraíba, a madeira desta árvore é aproveitada de forma intensiva para produção de carvão.

O conselheiro do governo norte-americano ficou impressionado com a existência de um cafeeiro em plena área de cerrado. O cafeeiro instalado no Campo da Embrapa faz parte de uma pequisa de melhoramento genético do café Conilon na Amazônia, contém 500 plantas resultantes de materiais fornecidos pela Embrapa Rondônia e Embrapa Amazônia Oriental (Belém-PA). “Gostei de conhecer tudo neste campo e vejo que o Amapá tem condições de desenvolver uma agricultura comercial. Há um grande potencial não explorado e as políticas públicas podem ser disseminadas com base na ciência desenvolvida pela Embrapa, uma empresa que tem reconhecimento internacional na geração de tecnologias para a agricultura”, avaliou Robert Hoff. Ao longo do trajeto, o conselheiro e os diretores da Ambel também conheceram experimentos de bananeiras resistentes a doenças e de prospecção do potencial de murumuru, buriti e inajá para produção de biocombustível. Robert Hoff encerra sua agenda no Amapá nesta quinta-feira.

Dulcivânia Freitas - DRT/PB 10.63/96

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