Bailique: energia 24 horas muda a vida dos moradores

O fornecimento de energia por 24 horas está alterando a vida dos moradores de oito comunidades do arquipélago do Bailique, distrito de Macapá. Desde o mês de julho deste ano, as famílias sentem no dia-a-dia a mudança provocada com o funcionamento da Usina Termelétrica que substitui o antigo gerador até que o distrito esteja interligado ao Sistema Estadual de Energia.

As interrupções eram empecilho para o crescimento do comércio, dificultava as atividades domésticas e escolares, e deixava os moradores inseguros. Quando inaugurada, a usina levava energia durante o dia inteiro para oito comunidades, hoje este benefício se estendeu para mais duas.

Extinguir o uso de geradores em Bailique é o resultado de uma decisão do governador Camilo Capiberibe, que reativou o fornecimento de energia 24 horas, que foi realidade no ano 2000.
A administração estadual anterior desativou o benefício. Durante oito anos, a população do local ficou a mercê de máquinas ultrapassadas que geravam energia entre 4 e 18 horas, dependendo da comunidade. As vilas Progresso e Macedônia, por exemplo, tinham 18 horas de fornecimento. Estas duas comunidades concentram a maioria dos moradores do arquipélago.

A usina chegou em meio a festa por parte dos moradores e, após um mês que levou para ser instalada e testada, aconteceu a inauguração no final de julho. A comerciante Darcirene Vilhena conta a transformação em sua vida. “Antes eu tinha prejuízo no meu comércio, perdia muita mercadoria porque era somente 18 horas com energia, às vezes faltava combustível ou o gerador parava e ficávamos semanas no escuro. Agora, não temos problema e posso fazer estoque de mercadoria que precisa ficar refrigerada”, disse moradora.

A usina trouxe ainda conforto e modernidade, a maioria das casas tem televisão, geladeira, central de ar e outros eletrodomésticos. A Companhia de Eletricidade do Amapá (CEA) contratou a empresa Soenergy, para fazer funcionar a usina até que o Programa Luz para Todos seja ativado e o distrito fique interligado ao Sistema Estadual. O programa é do governo federal executado pela Eletronorte, em parceria com o Governo do Amapá.

Ele foi assinado em 2009, mas na época o Estado não cumpriu o pagamento das contrapartidas e, somente em 2011, foi retomado. “Quando cheguei aqui, há dois anos, era muito precário. Agora, a gente usa equipamentos eletrônicos e tem água gelada. Quando o Luz Para Todos chegar vai melhorar ainda mais. Valeu a pena acreditar no governador Camilo Capiberibe”, comemora o morador Eduardo Ferreira.

O arquipélago é formado por oito ilhas com 49 comunidades onde habitam aproximadamente 12 mil pessoas. A usina iniciou fornecendo energia para as vilas Macedônia, Progresso, Buritizal, Igarapé do Meio, Jaranduba, Macaco, Macaco de Fora e Nossa Senhora Aparecida. Após um grande esforço, o benefício foi estendido para a comunidade Siriúba e moradores das margens do Igarapé Cortiça.

O gerente da CEA em Bailique, Francildo Maués, reforça que, mesmo com o programa Luz Para Todos parado momentaneamente, a Companhia continua ampliando o número de famílias com energia. “Jaburu Grande nunca antes teve energia elétrica. Agora, tem 16 horas por meio do sistema isolado de Itamatatuba”, exemplificou.

“Recebemos muitas solicitações de moradores das comunidades que têm o fornecimento precário ou nunca tiveram, vamos tentando atender aos poucos. O gerador que ficava na Escola Bosque, por exemplo, transferimos para outra localidade que, pela primeira vez, tem fornecimento de energia”, disse o gerente.

Ele explicou que antes da usina, a CEA consumia mensalmente com os geradores, 133 mil litros de óleo diesel e agora são 90 mil. “O que economizamos está abastecendo outras comunidades onde o fornecimento de energia era precário. Quando a usina obtiver o registro da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o diesel será de responsabilidade da União e estes 90 litros irão beneficiar outras localidades”, relatou.

A instalação da usina melhorou ainda a vida de sete moradores de Bailique. São os trabalhadores contratados pela Soenergy para dar assistência técnica nas máquinas. Antes, trabalhando em atividades comuns na região, eles ganharam uma oportunidade de equilibrar a situação financeira, passaram por treinamento e hoje têm uma profissão. Atualmente, eles participam da capacitação para profissionais que trabalham com eletricidade, ministrado pelo Senai e obrigatório pela Norma de Regulamentação (NR-10), do Ministério do Trabalho.

Antes barqueiro, o hoje auxiliar de operações, Dario Souza, 27 anos, contou que hoje ajuda no sustento da casa da família com a renda fixa. Até quatro meses atrás, Girlei Vilhena, de 29 anos, sobrevivia como comprador de peixe para revender. “Não tem comparação minha vida antes e agora. Cresci ajudando minha família nos serviços marítimos, nunca imaginei que poderia ser mais que isso, agora trabalho arrumado, fiz cursos, tenho um salário melhor e sei que posso crescer ainda mais”, relatou o mecânico-júnior, que é casado e pai de uma filha.

Mariléia Maciel/Secom

Um comentário sobre “Bailique: energia 24 horas muda a vida dos moradores”

  1. José Fracarozzi diz:

    Considerando que os moradores do Bailique não podem ser cadastrado como unidades. Consumidoras. Gostaria de saber quem paga esta conta.

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