Em entrevista a jornal francês, Dilma sai em defesa de Lula

A presidente Dilma Rousseff disse em entrevista ao jornal francês Le Monde publicada nesta quinta-feira, 13, que não aceitará a corrupção no seu governo e que as acusações de que seu predecessor Luiz Inácio Lula da Silva teria participado do esquema do mensalão são lamentáveis. “Eu não vou tolerar a corrupção, e meu governo também não”, declarou Dilma, acrescentando que todos aqueles que utilizam dinheiro público devem prestar contas. “Caso contrário, a corrupção se espalha.”

Ela afirmou que “o Ministério Público é independente, a Polícia Federal investiga, prende e pune.” E falou que quem começou esta nova fase de governança foi o ex-presidente Lula. Sobre as acusações do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza de que o ex-presidente chefiou o esquema de desvio de recursos públicos do mensalão, Dilma afirmou: “Eu rejeito todas as tentativas, ele não é o primeiro a manchar o imenso respeito que o povo do Brasil tem pelo presidente Lula”.

Dilma disse também que, “se houver suspeitas confirmadas, a pessoa deve sair. Claro que não se deve confundir as investigações com a caça às bruxas próprias dos regimes autoritários ou de exceção. Para ser candidato à eleição, os brasileiros devem cumprir a lei de registro criminal (Ficha Limpa), eles não podem ter sido condenados.”

Dima também disse que fraco crescimento econômico do Brasil resulta de ‘fase de transição

Na entrevista, Dilma afirmou também que o fraco crescimento econômico apresentado pelo País é resultado de uma fase de transição vivida pelo Brasil. “Nós estamos em uma fase de transição. A crise internacional provocou uma desaceleração da economia brasileira em junho de 2011. Nós tivemos de adotar medidas estruturais, como a redução da taxa de juro. Pela primeira vez em décadas, elas estão próximas das taxas do mercado internacional”, disse ela ao jornal francês, observando que é a primeira vez em décadas que as taxas de juros do Brasil estão próximas das observadas nos mercados internacionais. Ela destacou, no entanto, que “isso levou a mudanças na rentabilidade. O aumento do investimento produtivo ainda não substituiu os investimentos em declínio. E a desvalorização artificial das moedas de países desenvolvidos resultou em uma valorização do real, que tem sido prejudicial”.

Perguntada se o Brasil é o país do futuro, Dilma respondeu que “os empresários europeus sabem que esse será o caso se nós investirmos nas indústrias de manufatura, infraestrutura e transformação”. Segundo ela, o desafio que o País enfrenta é a competitividade, que não é um fim em si mesmo. “Se não aumentarmos a taxa de investimento, não vamos atingir um crescimento acelerado, capaz de buscar a inclusão social e a expansão do mercado”.

A presidente destacou na entrevista que a dimensão do mercado brasileiro, as oportunidades em infraestrutura e a força da indústria explicam porque o Brasil se tornou um dos principais destinos de investimento direto estrangeiro, que totalizou US$ 66 bilhões em 2011 e 63 bilhões nos primeiros nove meses deste ano. “Nós prevemos um crescimento de pelo menos 4% em 2013″, disse Dilma ao Le Monde.

CLARISSA MANGUEIRA - Agência Estado

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